5G Unconfirmed – Está na hora de pensar no 5G

Hesitei bastante em colocar um título em inglês, mas se procurarmos na Wikipedia vemos sempre esta terminologia. Mas será que o 5G, a quinta geração tecnológica para comunicações móveis, está tão longe assim?

Histórico da especificação.

Para ilustrar que o nascimento das gerações de tecnologias em mobilidade – e aqui abolimos de falar em telefonia, pois o principal uso do nosso dispositivo 5G certamente não será voz – vemos três fases bem marcantes na implementação tecnológica. A primeira fase inicia-se com pesquisa e desenvolvimento na industria. Depois vem a padronização e por último o lançamento comercial.

A descrição das gerações tecnológicas, desde a primeira até a quarta gerações está detalhada no Histórico das Gerações de Tecnologias em Mobilidade

E o 5G?

O fato é que o ITU não tem nenhum requisito e nenhum estudo oficialmente publicado para sistemas de 5G. A classificação, conforme a recomendação M.1645 do ITU-R é algo como um divisor de águas. Há os sistemas até o IMT-2000 e os sistemas além do IMT-2000 (beyond IMT-2000). E sendo assim, não há uma terminologia oficial para sistemas de quinta geração.

O que há atualmente é uma coleção de artigos acadêmicos com uma série de suposições e tendências sobre a mais nova próxima geração de tecnologia móvel. O histórico antes descrito mostra que o “timing” desta geração está correto e que em breve deveremos ter algo oficial no mercado.

Mas sobre estas suposições e tendências, na minha opinião, há algumas que “vão pegar”, ou seja, afirmações que serão verdadeiras sobre a nova tecnologia e outras que “não vão pegar”, isto é, não se tornarão realiade.

O que vai pegar:

  1. A tecnologia da rede core será “Cloud Computing”. Certamente! Não toda, mas uma parte substancial. Afinal, para processar toda a informação de mobilidade de maneira transparente para o usuário é a melhor opção.  
  1. Cognitive Radio, Adaptive devices... Está na hora deles virarem uma verdade em larga escala comercial. 
  1. Eu terei uma estação de rádio base na minha sala! É verdade. A tecnologia de “small cells” ou células pequenas está bem avançada. Há fornecedores já prospectando pico e femto estações de rádio base.

O que não vai pegar: 

  1. A velocidade de transmissão de dados será multiplicada por um fator de 200 a 500 em relação ao 4G. Historicamente, temos que isso realmente ocorreu. O 2G operava com velocidades de dados de 10kbps (em média). O 3G, tinha como especificação velocidades de 144 kbps em ambiente totalmente móvel, 384 kbps em mobilidade restrita e 2 Mbps em ambiente fixo. Houve um fator multiplicativo médio de 300. O 4G multiplicou as velocidades para 100Mbps (em mobilidade) e 1Gbps (fixo) com fatores de 300 a 500. Porém, segundo o teorema da capacidade de Shannon Nyquist, há um limitante na taxa de dados, denominado capacidade do canal. Acredita-se que seja impossível se alcançar 500 Gbps na interface aérea. O multiplicador tradicional não será aplicado.   
  1. Haverá apenas uma tecnologia, resultado da convergência do LTE-Advanced com o WiMax2. Esta é a afirmação mais falsa que já vi. Onde já se viu um padrão único na história da humanidade? Veja os velhinhos VHS x Betamax, Windows x Linux, GSM x CDMA. Até no 4G, ficou LTE-Advanced x WiMax2. 
  1. O 5G é o topo da evolução tecnológica... Até alguém inventar o 6G, 7G, and beyond...

Referências:  



UMTS/IMT-2000 Based on Wideband CDMA - Erik Dahlman, Björn Gudmundson, Mats Nilsson and Johan Sköld – Ericsson Radiosystems AB – Publicado no IEEE Communications Magazine em Setembro de 1998

Wireless & Cellular Communications – William C. Y. Lee – Third Edition - McGraw Hill
  

Comentários

Postagens mais visitadas